Idealização Professor José Bezerra, direção/fotografia /edição - Marcos Fraga
O Projeto de Educação Ambiental“Click Trilha”, busca promover uma maior interação dos participantes com a natureza, tirando-os de sua rotina urbana e vivenciando com eles a natureza de perto. Enquanto percorrem as trilhas, fotografam a fauna e a flora da região e são sensibilizados em relação aos problemas ambientais, o que promove uma mudança de comportamento tornando-os mais responsáveis pela preservação do meio ambiente.
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sábado, 13 de outubro de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
MANGUEZAL: Ameaça ao Berçário
O novo Código Florestal pode agravar a depredação dos manguezais, ecossistemas que se estendem por dezesseis estados e são a base da biodiversidade no litoral
Quando se fala em ecossistemas ameaçados pela ação humana no Brasil, logo vêm à mente a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, que sofrem desmatamento acelerado, e o Pantanal, ocupado de forma desordenada. Menos lembrados são os manguezais, embora eles tenham importância crucial para a manutenção da vida na costa brasileira. Os manguezais estão presentes em dezesseis estados que têm litoral — a única exceção é o Rio Grande do Sul. O Brasil abriga a terceira maior área de manguezais do planeta, mas estima-se que um quarto da região de mangue original já tenha sido destruído, em parte para a instalação de salinas e de fazendas marinhas para a criação de camarões.
Se o novo Código Florestal, que deve ser votado na Câmara dos Deputados nos próximos dias, for aprovado com o texto que já passou pelo Senado, a situação dos manguezais poderá se deteriorar ainda mais. Pelo código atual, os mangues são áreas de preservação ambiental, ou seja, não podem ser ocupados nem desmatados. O texto do novo código prevê o uso de 10% a 35% dos manguezais — dependendo do estado — justamente para a instalação de salinas e para a criação de camarões. Os manguezais são basicamente o ecossistema de transição entre o mar e o continente. Encontram-se apenas nas regiões mais quentes do globo, principalmente na faixa entre os dois trópicos. Para se desenvolverem plenamente, necessitam de muita irradiação solar, chuvas fartas e grande amplitude de marés.
Se o novo Código Florestal, que deve ser votado na Câmara dos Deputados nos próximos dias, for aprovado com o texto que já passou pelo Senado, a situação dos manguezais poderá se deteriorar ainda mais. Pelo código atual, os mangues são áreas de preservação ambiental, ou seja, não podem ser ocupados nem desmatados. O texto do novo código prevê o uso de 10% a 35% dos manguezais — dependendo do estado — justamente para a instalação de salinas e para a criação de camarões. Os manguezais são basicamente o ecossistema de transição entre o mar e o continente. Encontram-se apenas nas regiões mais quentes do globo, principalmente na faixa entre os dois trópicos. Para se desenvolverem plenamente, necessitam de muita irradiação solar, chuvas fartas e grande amplitude de marés.
Na costa dos estados do Amapá, Pará e Maranhão, os manguezais chegam a ter 40 quilômetros de largura e suas árvores alcançam mais de 40 metros de altura. O terreno lodoso característico desse bioma é formado por sedimentos de origem marinha e continental, restos de folhas, galhos e animais em decomposição. Isso torna o ambiente rico em material orgânica, o que atrai espécies de micro-organismos e animais que usam aquela região como fonte de alimento e refúgio contra predadores.
Ao longo de toda a costa brasileira, as pessoas que moram próximo ao manguezal dependem de sua riqueza para a subsistência. É comum a coleta de crustáceos e moluscos que vivem enterrados na lama para o comércio. "Cerca de 70% das espécies de peixes, moluscos e crustáceos que são pescadas comercialmente no litoral brasileiro têm relação com os manguezais em alguma fase de sua vida", diz a bióloga Yara Schaeffer Novelli, orientadora do programa de pós-graduação em oceanografia da Universidade de São Paulo. Os manguezais também servem de refúgio para aves migratórias. Os mangues do Maranhão e Pernambuco, e também os da região de Cubatão, no litoral paulista, recebem batuíras e maçaricos, aves típicas do norte do Canadá e Estados Unidos, que se recuperam ali após a longa viagem.
A caminhada do caranguejo
A espécie-símbolo dos manguezais passa pelas três faixas do ecossistema ao longo da vida - veja oinfográfico
A flora dos manguezais não apresenta grande variedade. Existem basicamente seis espécies de planta nesse ecossistema no litoral brasileiro. Suas raízes expostas servem como fi ltro dos sedimentos que correm misturados à água e também como fator atenuante de tempestades em áreas costeiras. Em Cubatão, as folhas e os troncos das árvores de mangue às vezes se cobrem de uma película oleosa, composta de resíduos da queima e refi no de petróleo na região. Sem esse filtro natural, a poluição na área poderia ser ainda mais intensa, afetando diretamente as praias da Baixada Santista.
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Hoje, no Brasil, a faixa de manguezal mais ameaçada é a área conhecida como apicum, palavra de origem tupi que signifca "brejo de água salgada". Os apicuns ocorrem geralmente nas regiões onde as marés têm difi culdade em avançar na costa por encontrar terras elevadas. A água que chega a essas terras se evapora rapidamente e o chão acumula tanto sal que nele sobrevive apenas a vegetação rasteira. A aparência desolada dos apicuns é enganosa.
Seu solo abriga boa parte da reserva de nutrients do manguezal. Ele também serve de abrigo para os caranguejos na fase final de seu desenvolvimento. É nos apicuns que se instalam as criações de camarão, principalmente no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí. Escavam-se enormes tanques que acabam por mudar permanentemente as características da região. Diz a bióloga Flávia Mochel, do Departamento de Oceanografi a e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão: "Para aumentarem a produtividade, os carcinicultores enchem os criadouros de pesticidas e antibióticos. Na época da coleta dos camarões, esse material é escoado sem fi ltragem para o manguezal. Os tanques têm vida útil de, no máximo, dez anos. Depois desse período, os criadores os abandonam e escavam novos tanques, destruindo outra área de manguezal".
A deterioração dos manguezais brasileiros nas últimas décadas é também resultado da ausência de projetos, em escala nacional, que visem à sua preservação e ao uso sustentável.
Durante muito tempo,os únicos trabalhos produzidos sobre o tema eram de cunho científi co, com circulação limitada às universidades e com foco em regiões restritas. O primeiro mapeamento nacional dos manguezais foifeito apenas em 2008, pelo Ibama. Um projeto lançado há três anos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), batizado de Manguezais do Brasil, recebeu fi nanciamentodo Pnud, órgão das Nações Unidas que lida com questões ambientais. Foram escolhidas cinco regiões na costa brasileira, nos estados do Pará, Maranhão, Piauí, Paraíba, São Paulo e Paraná, onde serãofeitas experiências de gestão e preservação dos recursos. O mapeamento do ecossistema também será atualizado, em parceria com o Ibama e o Inpe. Espera-se que a iniciativa ajude a preservar os berçários da vida do litoral brasileiro.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
VILLAZOO – Grupo de Proteção à Vida de Cães e Gatos
VILLAZOO é uma entidade sem fins lucrativos que tem como finalidade a proteção à vida e bem-estar de cães e gatos habitantes das áreas urbanas, protegendo-os contra a crueldade, maus tratos, doenças, fome, abandono, além de participar de campanhas de controle de população e de tutela responsável, somando-se ao poder público e a outras entidades não-governamentais.
O grupo não tem sede própria; os animais são acolhidos nas casas dos integrantes e voluntários.
O Presidente da VILLAZOO é o ambientalista, professor de biologia e de educação ambiental, José Bezerra Neto.
Faça sua doação e ajude a salvar ainda mais animais.
Temos um local para receber doações em produtos como: Ração, areia, remédios e caixas de transporte.
As doações podem ser encaminhadas à Clínica Veterinária City Dog (Dr. Aerton), membro do ViLLAZOO, na Rua Arauá, 632.
São José - Aracaju - SE
Tel: (79) 3213-7066
O dinheiro que recebemos de doação é usado para pagarmos cirurgias (inclusive as de castração), tratamentos, internações, compra de vacinas e outros medicamentos.
Doações em dinheiro podem ser feitas diretamente na conta da ONG:
BANESE (VILLAZOO – Grupo de Proteção à Vida de Cães e Gatos)
Agencia: 011
Operação: 03
Conta: 031103.103-6
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Serra de Itabaiana é vítima de mais um incêndio
Incêndio é de grandes proporções e pode ter sido criminoso
Um incêndio de grandes proporções destruiu a vegetação em uma área superior a 80 hectares da Serra de Itabaiana. A parte afetada fica entre os povoados Caroba e Boqueirão, no município de Areia Branca – localidade conhecida como Serra Cumprida. Ainda não se sabe a proporção dos prejuízos, mas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a Serra, avalia que este seria o maior incêndio nos últimos seis anos. O último nestas proporções, segundo informou o analista ambiental Marleno Costa, do ICMBio, aconteceu no ano de 2005.
O Parque Nacional Serra de Itabaiana tem área total de 7.966 hectares, com predominância de mata atlântica, fisionomia de cerrado, campo rupestre e formação com característica de restinga arbustiva. “Avalia-se que queimou entre 80 a 100 hectares, mas pode ser mais”, avalia o analista ambiental. O incêndio começou por volta das 9h da manhã da segunda-feira, 2, mas só foi debelado, pela brigada de incêndio contratada pelo Instituto Chico Mendes, na manhã desta terça-feira, 3, por volta das 8h.
O trabalho efetivo de combate ao incêndio mobilizou um efetivo de 14 brigadistas e dois voluntários do ICMBio, além de contar com apoio da guarnição do Corpo de Bombeiros, um efetivo de nove homens, que atuou em uma outra parte da Serra, evitando a proliferação de outros focos. Os serviços tiveram que ser interrompidos à noite devido às dificuldades de acesso.
O Corpo de Bombeiros suspendeu a atividades pouco antes das 18h e a brigada do ICMBio trabalhou até às 20h. “As dificuldades decorrem do acúmulo de combustível muito seco, o forte calor na região, o fogo andando a favor do vento, ventos muito fortes e também pela peculiaridade do relevo”, constata o analista ambiental, que coordenou os trabalhos para combater o incêndio.
Na madrugada, por volta das 4h desta terça, 3, os trabalhos da brigada foram reiniciados e o fogo foi debelado por volta das 8h. Os prejuízos à fauna e à flora ainda não foram calculados, mas o incêndio não afetou residências existentes na região. “O pessoal chegou a perceber a presença de cobras mortas e seriemas correndo atônitas”, conta Marleno Costa.
O analista ambiental informa que o fogo também afeta diretamente as nascentes, que dependem da vegetação para se manter. Queimando a vegetação, as nascentes estão comprometidas causando prejuízos à comunidade que depende daqueles riachos para a sobrevivência.
Pelas características, acredita-se em incêndio criminoso. “Pelo local afetado, elimina-se a possibilidade de descuido de algum sitiante, mas isso só será comprovado quando for feita a perícia”, diz Costa, considerando indícios de crime.
Ele adverte aos sitiantes que necessitam de fazer queimadas para realizar o cultivo da terra sobre os prejuízos e riscos que o fogo pode causar à fauna e à flora e também à própria comunidade.
Para estes casos, o ICMBio coloca pessoal qualificado à disposição dos sitiantes que fará monitoramento e acompanhamento do processo de queimada. Para tanto, basta os interessados acionarem a brigada pelo telefone (79) – 9855-9020.
Fonte: Infonet, Por Cássia Santana
Um incêndio de grandes proporções destruiu a vegetação em uma área superior a 80 hectares da Serra de Itabaiana. A parte afetada fica entre os povoados Caroba e Boqueirão, no município de Areia Branca – localidade conhecida como Serra Cumprida. Ainda não se sabe a proporção dos prejuízos, mas o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra a Serra, avalia que este seria o maior incêndio nos últimos seis anos. O último nestas proporções, segundo informou o analista ambiental Marleno Costa, do ICMBio, aconteceu no ano de 2005.
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| Marleno Costa: orientações a donos de sítios (Foto: Portal Infonet) |
O trabalho efetivo de combate ao incêndio mobilizou um efetivo de 14 brigadistas e dois voluntários do ICMBio, além de contar com apoio da guarnição do Corpo de Bombeiros, um efetivo de nove homens, que atuou em uma outra parte da Serra, evitando a proliferação de outros focos. Os serviços tiveram que ser interrompidos à noite devido às dificuldades de acesso.
O Corpo de Bombeiros suspendeu a atividades pouco antes das 18h e a brigada do ICMBio trabalhou até às 20h. “As dificuldades decorrem do acúmulo de combustível muito seco, o forte calor na região, o fogo andando a favor do vento, ventos muito fortes e também pela peculiaridade do relevo”, constata o analista ambiental, que coordenou os trabalhos para combater o incêndio.
Na madrugada, por volta das 4h desta terça, 3, os trabalhos da brigada foram reiniciados e o fogo foi debelado por volta das 8h. Os prejuízos à fauna e à flora ainda não foram calculados, mas o incêndio não afetou residências existentes na região. “O pessoal chegou a perceber a presença de cobras mortas e seriemas correndo atônitas”, conta Marleno Costa.
O analista ambiental informa que o fogo também afeta diretamente as nascentes, que dependem da vegetação para se manter. Queimando a vegetação, as nascentes estão comprometidas causando prejuízos à comunidade que depende daqueles riachos para a sobrevivência.
Pelas características, acredita-se em incêndio criminoso. “Pelo local afetado, elimina-se a possibilidade de descuido de algum sitiante, mas isso só será comprovado quando for feita a perícia”, diz Costa, considerando indícios de crime.
Ele adverte aos sitiantes que necessitam de fazer queimadas para realizar o cultivo da terra sobre os prejuízos e riscos que o fogo pode causar à fauna e à flora e também à própria comunidade.
Para estes casos, o ICMBio coloca pessoal qualificado à disposição dos sitiantes que fará monitoramento e acompanhamento do processo de queimada. Para tanto, basta os interessados acionarem a brigada pelo telefone (79) – 9855-9020.
Fonte: Infonet, Por Cássia Santana
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Ação Pública para evitar comercialização de animais
MP quer coibir a venda de animais no Mercado Albano Franco
Por intermédio do Promotor de Justiça Dr. Carlos Henrique Siqueira Ribeiro, Curador do Meio Ambiente, o Ministério Público de Sergipe propôs Ação Civil Pública, com pedidos de natureza cautelar, em face do Município de Aracaju e da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (EMSURB). O objetivo é fazer que o Poder Público adote iniciativas no sentido de coibir a venda de animais vivos no Mercado Albano Franco.
Em 1999, a Associação de Proteção de Animais (ASPA) trouxe notícias apontando irregularidades no setor. Desde então, o MP tenta solucionar o problema pela via administrativa. Diversas audiências foram realizadas com a participação da EMSURB, da Adema, do Ibama, da ASPA, da Vigilância Sanitária e dos comerciantes. A despeito de todos os esforços empreendidos, as irregularidades persistiram, com apenas alguns episódios de melhorias tanto pontuais como insuficientes.
Além disso, foram realizadas várias inspeções, inclusive pela Divisão de Engenharia do MP. Os laudos técnicos são unânimes quanto à inadequação do espaço, aos maus-tratos contra os animais e às péssimas condições sanitárias, as quais propiciam riscos à saúde pública. O Ibama, num dos relatórios, sugeriu que deve ser construído outro espaço para a realização da atividade.
De acordo com a exordial, há pelo menos 12 anos, os integrantes do polo passivo têm conhecimento da situação, decorrente, em tese, de omissão no que se refere às ações fiscalizatórias próprias do exercício do poder de polícia. Por tal razão, o Autor requer sejam compelidos os demandados a não autorizar, permitir ou tolerar a venda de animais vivos no Mercado Albano Franco até a construção de local apropriado e licenciado pela Adema, sob pena de multa liminar diária no valor de R$ 10 mil.
Fonte: Ascom MPE
O professor José Bezerra e o Projeto de Educação Ambiental Click Trilha parabeniza e apóia essa causa.
sábado, 20 de agosto de 2011
sobrevivente: Lobo solitário
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As fezes servem como pistas dos animais em minhas andanças pelos parques nacionais da serra da Canastra e das Emas.
Elas estão sempre em locais bastante evidentes: nas estradas de terra, sobre lajedos de pedra ou no topo de cupinzeiros, alguns com 2 metros de altura. (Eu rio sozinho ao imaginar um lobo nessa situação.) Esse comportamento nada tem de exibicionismo - ao contrário, é importante para a espécie. O guará é um animal solitário e monogâmico. Macho e fêmea só se aproximam na época da reprodução. Para se comunicar e afastar invasores de seu território, o casal usa vocalizações, como seu latido rouco, grave e alto, e o odor de urina e fezes depositadas em locais específicos.
A fêmea entra no cio por cinco dias, tem uma gestação de 65 dias e dá à luz três filhotes de pelagem marrom-escura, entre junho e setembro. Sua habilidade para proteger as crias impressiona. No Parque Nacional das Emas, uma vez me juntei à equipe de Leandro e Anah para rastrear a ninhada de uma fêmea marcada com rádio-colar. Ao longo de meia hora, seguimos os sinais de rádio que apontavam a presença dela a menos de 10 metros. Nem assim conseguimos localizá-la.
Desenvolvemos uma técnica para procurar os lobos: rodar de carro devagar pelas estradas, com o carona sentado na janela com o tronco para fora, de lanterna à noite e de binóculo durante o amanhecer e o crepúsculo. Quando avistamos um guará, estacionamos e seguimos a pé. Assim que localizei Clara na Canastra, telefonei para uma dupla de amigos fotógrafos de natureza que perseverava em vão em Emas: a belga Tui De Roy e o britânico Mark Jones. Depois de alguns dias juntos perseguindo Clara, conseguimos habituá-la à nossa presença.
Desde o amanhecer, acompanhávamos a loba pelos campos. Sabíamos logo quando ela registrava no meio do capinzal a presença de algumas de suas presas habituais, como um rato ou uma codorna. A expressão da loba mudava: ela se imobilizava, levantava a cauda e começava a se aproximar sorrateiramente do alvo. Então, suas narinas fremiam, as orelhas moviam-se independentes uma da outra para localizar a caça no solo e saltar com as duas patas dianteiras recolhidas para agarrá-la contra o chão. Quando o bote era certeiro - pouco mais da metade das tentativas -, a loba engolia a presa inteira, sem perder tempo. Também pudemos observar a associação, já descrita por biólogos, do falcão-de-coleira (Falco femoralis) com o lobo-guará em uma jornada de caça. Certa tarde, um casal de falcões seguiu Clara ao longo de uma encosta suave. Quando a loba assustou uma codorna amarela, ela voou piando e batendo asas, e os falcões mergulharam para capturá-la. As aves de rapina foram malsucedidas, mas Clara estava atenta e correu atrás dela - só que, desta feita, também falhou.
Na última vez que tentei rever Clara na serra da Canastra, um incêndio havia destruído o seu território. Os campos estavam carbonizados - era impossível para um lobo caçar naquele cenário desolado. Além dessas queimadas sazonais, estudos apontam que o Cerrado já foi reduzido a 30% da área original, devido à expansão da agricultura. A ocupação desse bioma fragmentou algumas das populações do guará, a ponto de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie. Acuado, o lobo está invadindo áreas desmatadas de Mata Atlântica. Anos atrás, uma fêmea foi atropelada na via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, perto da cidade de Resende. Na mesma época, observei outro lobo na estrada para Visconde de Mauá, na mesma região fluminense. "A expansão de sua área de distribuição não vai garantir sua preservação", avalia Leandro Silveira. "Ao perder território, o lobo, faminto, se aproxima das zonas rurais e é recebido a tiros, já que muitas vezes ataca a criação de galinhas e outros pequenos animais domésticos."
Por onde andará Clara nos dias que correm? Espero que bem, circulando sorrateira em busca de comida pelos campos já recuperados do parque da Canastra. A convivência com ela foi marcante em minha longa carreira de documentarista ambiental. O lobo-guará é um animal sofisticado, ladino, que sabe como evitar contato com os seres humanos. Agora, essa raposa que anda sobre o alto do capinzal para ver melhor o que acontece ao seu redor terá de usar suas longas pernas e sua habilidade para fugir da ameaça que ronda seu habitat.
A fêmea entra no cio por cinco dias, tem uma gestação de 65 dias e dá à luz três filhotes de pelagem marrom-escura, entre junho e setembro. Sua habilidade para proteger as crias impressiona. No Parque Nacional das Emas, uma vez me juntei à equipe de Leandro e Anah para rastrear a ninhada de uma fêmea marcada com rádio-colar. Ao longo de meia hora, seguimos os sinais de rádio que apontavam a presença dela a menos de 10 metros. Nem assim conseguimos localizá-la.
Desenvolvemos uma técnica para procurar os lobos: rodar de carro devagar pelas estradas, com o carona sentado na janela com o tronco para fora, de lanterna à noite e de binóculo durante o amanhecer e o crepúsculo. Quando avistamos um guará, estacionamos e seguimos a pé. Assim que localizei Clara na Canastra, telefonei para uma dupla de amigos fotógrafos de natureza que perseverava em vão em Emas: a belga Tui De Roy e o britânico Mark Jones. Depois de alguns dias juntos perseguindo Clara, conseguimos habituá-la à nossa presença.
Desde o amanhecer, acompanhávamos a loba pelos campos. Sabíamos logo quando ela registrava no meio do capinzal a presença de algumas de suas presas habituais, como um rato ou uma codorna. A expressão da loba mudava: ela se imobilizava, levantava a cauda e começava a se aproximar sorrateiramente do alvo. Então, suas narinas fremiam, as orelhas moviam-se independentes uma da outra para localizar a caça no solo e saltar com as duas patas dianteiras recolhidas para agarrá-la contra o chão. Quando o bote era certeiro - pouco mais da metade das tentativas -, a loba engolia a presa inteira, sem perder tempo. Também pudemos observar a associação, já descrita por biólogos, do falcão-de-coleira (Falco femoralis) com o lobo-guará em uma jornada de caça. Certa tarde, um casal de falcões seguiu Clara ao longo de uma encosta suave. Quando a loba assustou uma codorna amarela, ela voou piando e batendo asas, e os falcões mergulharam para capturá-la. As aves de rapina foram malsucedidas, mas Clara estava atenta e correu atrás dela - só que, desta feita, também falhou.
Na última vez que tentei rever Clara na serra da Canastra, um incêndio havia destruído o seu território. Os campos estavam carbonizados - era impossível para um lobo caçar naquele cenário desolado. Além dessas queimadas sazonais, estudos apontam que o Cerrado já foi reduzido a 30% da área original, devido à expansão da agricultura. A ocupação desse bioma fragmentou algumas das populações do guará, a ponto de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie. Acuado, o lobo está invadindo áreas desmatadas de Mata Atlântica. Anos atrás, uma fêmea foi atropelada na via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, perto da cidade de Resende. Na mesma época, observei outro lobo na estrada para Visconde de Mauá, na mesma região fluminense. "A expansão de sua área de distribuição não vai garantir sua preservação", avalia Leandro Silveira. "Ao perder território, o lobo, faminto, se aproxima das zonas rurais e é recebido a tiros, já que muitas vezes ataca a criação de galinhas e outros pequenos animais domésticos."
Por onde andará Clara nos dias que correm? Espero que bem, circulando sorrateira em busca de comida pelos campos já recuperados do parque da Canastra. A convivência com ela foi marcante em minha longa carreira de documentarista ambiental. O lobo-guará é um animal sofisticado, ladino, que sabe como evitar contato com os seres humanos. Agora, essa raposa que anda sobre o alto do capinzal para ver melhor o que acontece ao seu redor terá de usar suas longas pernas e sua habilidade para fugir da ameaça que ronda seu habitat.
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Luiz Claudio Marigo-National Geographic Brasil
terça-feira, 24 de maio de 2011
Professor Bezerra visita a Câmara
O professor de Educação Ambiental e o presidente da Casa, Emmanuel Nascimento vão ampliar as discussões em torno do Meio Ambiente.
O professor de Educação Ambiental do Colégio Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, José Bezerra esteve na Câmara Municipal na manhã desta segunda-feira, 23. O objetivo da visita ao presidente Emmanuel Nascimento (PT) foi se colocar a disposição na elaboração de projetos que possam contribuir com o meio ambiente.
Professor Bezerra conversa com Emmanuel Nascimento (Foto: Portal Infonet) |
Na ocasião, o presidente Emmanuel Nascimento solicitou que o professor José Bezerra elabore o material e retorne à Câmara para que possam discutir propostas que visem a melhoria do meio-ambiente no âmbito da capital sergipana. “A preservação do meio ambiente é de suma importância e estamos abertos às discussões com o professor José Bezerra, que possui larga experiência no assunto”, ressalta Emmanuel Nascimento.
“Nós temos várias propostas voltadas para o tráfego de carroças e principalmente para o plantio e podas de árvores na cidade. A nossa preocupação está voltada para a preservação do meio ambiente, principalmente no que se refere à política ambiental de proteção aos animais e às arvores. Viemos até a Câmara para dar um apoio na elaboração dos projetos. Tivemos uma boa recepção do presidente Emmanuel Nascimento, vamos elaborar o material e retornar para discutir”, destaca o professor e ambientalista José Bezerra.
Por Aldaci de Souza(Portal Infonet)
http://www.infonet.com.br/politica/ler.asp?id=113496&titulo=politicaeeconomia
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Morcegos fazem amizades para a vida toda
A conclusão é de um estudo alemão, que observou durante cinco anos mais de 20 mil morcegos e descobriu que o grupo social que esse mamífero voador estabelece na juventude é mantido até a velhice – ao contrário da maioria dos animais dessa classe, que migram de grupo a medida que amadurecem, acasalam e procriam.
A pesquisa apontou, ainda, que as “amizades” dos morcegos mais velhos são mantidas pelos mais jovens, mesmo após a morte dos anciões. E mais: eles não são nem um pouco preconceituosos e se relacionam com morcegos de qualquer gênero e tamanho.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores – que trabalham na Universidade de Greifswald – implantaram microchips nos milhares de morcegos e monitoraram, durante 24 horas, suas interações sociais.
Segundo eles, há apenas três outros animais que também estabelecem laços fortes com os demais exemplares de suas espécies e mantêm uma relação social durante toda a vida: os elefantes, golfinhos e alguns primatas, como, por exemplo, os seres humanos.
Fonte: Débora Spitzcovsky Foto de Rogério Montenegro
sábado, 23 de abril de 2011
Projeto Click Trilha: Caçar, comercializar ou manter animais silvestres em cativeiro é CRIME
Somente a conscientização da população poderá desestimular este comércio ilegal e proteger o direito à vida e liberdade dos animais.
Combata o comércio de animais silvestres
Se você presenciar ou souber de algum caso de comércio ilegal de animais silvestres, denuncie imediatamente. Além de ser considerado crime inafiançável, a prática é responsável pela morte de milhões de animais em todo o mundo.
A vasta biodiversidade do Brasil torna o país um dos principais alvos dos traficantes de animais. Esses criminosos movimentam cerca de 10 a 20 bilhões de dólares em todo o mundo, colocando o comércio ilegal de animais silvestres na terceira maior atividade ilícita do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas.
Os animais são retirados do seu habitat ainda filhotes e percorrem muitos quilômetros até chegar ao seu destino (muitas vezes em outros países). As péssimas condições e os maus tratos de traficantes fazem com que a maior parte esses animais morram no caminho e colocam em risco não apenas a existência da espécie, como também a de todos os animais que fazem parte da sua cadeia alimentar.
Você pode ajudar a quebrar esse comércio. Se souber de algum caso de venda de animais silvestres se informe se ele tem a autorização do IBAMA. Se não tiver, avise ao Pelotão Ambiental de Sergipe (tel.79-32488306) ou ligue para o IBAMA através da Linha Verde (tel. 0800 61 8080).
Confira algumas dicas do IBAMA para combater o tráfico e animais:
- Não compre animais silvestres sem origem legal;
- Não compre artesanatos que possuam partes de animais silvestres; salvo se o artesanato for certificado como procedente do manejo sustentável;
- Denuncie traficantes;
- Mesmo que fique com pena do animal nas mãos do traficante, não o compre, se o fizer você somente estará incentivando o tráfico;
- Se tiver um animal silvestre não o solte simplesmente, entre em contato com a unidade do IBAMA mais próxima.
Caçar, comercializar ou manter animais silvestres em cativeiro é CRIME.
O projeto Click Trilha é parceiro do IBAMA, da SEMARH e do Pelotão Ambiental.
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